SER PORTEÑO

Faz tempo pensava em escrever sobre como é viver em Buenos Aires, tipo uma mistura de demonstração da “idiosincrasia”, das dificuldades e facilidades, ou seja, de tudo um pouco. Não como dicas específicas do lugar, mas mais como um desabafo cultural!
Então hoje o bichinho coçou e saiu o primeiro post sobre o assunto. E não podia ser outro o assunto: o jeito porteño de ser. O “porteño“, argentino nascido em Buenos Aires Capital, tem esse nome por conta do porto, local por onde antigamente chegavam e saiam todas as mercadorias no país.
O porteño é uma mistura bem interessante de gêneros e culturas, bastante explosiva, diria eu. Alguém me disse long time ago que é “um italiano que fala espanhol e pensa que é inglês”. Nunca ouvi definição melhor, tanto que quando a divido com os próprios porteños, eles dão risada e concordam. A diversidade cultural, resultado deste mosaico imigratório, é fascinante. O porteño gesticula bem “à la italiana”, fala alto, faz caras e bocas, xinga como ele só.
Qualquer coisinha é motivo para mandar um “la recontra p que te p”. Ou um “la con… de tu madre”, também rola. E olha, garanto que xingar em espanhol é desopilante, MESMO! Sai lá de dentro, do fundo, com todo o sentimento do momento. Mas assim como vem, vai. Passa rapidinho, tão explosivamente como chegou. E continuam conversando, como “si nada”.
O porteño é melancólico, tanguero, profundo. Tudo é dramático, melodramático, o mundo vai acabar amanhã. E consegue estar feliz dentro da sua tristeza. O porteño é “familiero”, os homens se beijam quando se encontram. Porteño adora estar em grupo, é barulhento. Sair à noite é um must, as ruas sempre cheias. Domingo é dia de parque, com o mate debaixo do braço. Sim, gente, aqui o povo sai com o mate, não com a cerveja: no parque, na rua, na praia. Normal pegar o subte de manhã no horário do rush e ver a galera executiva com o mate porque não tiveram tempo de “desayunar”. Ou as “minas” se maquiando, porque levantaram correndo e não deu tempo. Ou os cafés cheios de manhã cedo, porque o porteño AMA tomar o café da manhã nas cafeterias, lendo o jornal.
Porteño ama sair para comer fora. Qualquer dia da semana, almoço, jantar, o que for. ADORA. E são pelo menos duas horas de refeição, porque é todo um ritual, que inclui a “sobremesa” (tempo depois de terminada a refeição, com o cafezinho e o papo, que pode durar outras duas horas mais!!).
A linguagem do porteño também é única: “La mina vino y yo le largué, che, qué onda? Y no sé, boludo, qué se yo, así que el chabón vino y se fue y bueno, nada”. Esa é a típica conversa. E não é só entre os jovens e adolescentes, não. Entre todos. Inusitadamente intraduzível! Uma mistura de espanhol e lunfardo, o idioma do tango. Ah o tango… Este vai ser o post 3: o que é o tango para o porteño.
Depois de sete anos em Baires, a gente aprende a admirar e gostar disso. E quando não está perto, sente falta. Sem falar no charme dos porteñOs, que vamos e venhamos, minhas amigas leitoras, é D E M A I S!
Mas isso é assunto para outro post! FUI!

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