JÉSSICA VIEIRA: CHEGANDO EM BAIRES

Na chegada, os detalhes que apresentam o destino.

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A chegada ao Aeroporto Internacional de Buenos Aires (Ezeiza – EZE) já denuncia um ambiente novo e diferente. O idioma, lógico, é o primeiro sinal de que você não está no seu habitat natural, mas há outros indícios de que a sua estadia fora do Brasil lhe trará novas perspectivas. O vestuário, os cumprimentos, a imposição da voz e a relação com livros/jornais são alguns dos exemplos.

De forma geral, o portenho se veste bem e de forma elegante (com exceção dos sapatos, por favor!), mas sem muita variedade de cores. Estive lá na primavera e pouco notei tecidos coloridos ou estampados. Achei que era por causa do “clima de aeroporto”, mas não. Nas ruas e vitrines nada de muito rosa/azul/Pink/cereja/laranja/flores e estampas. Inclusive, certa vez, estava numa loja e disse à vendedora que era brasileira. Uma “chica-cliente” me olhou de cima a baixo e disse “Se nota!” Até hoje tento adivinhar se foi um comentário afirmativo ou irônico, mas sigamos… hehehe

Outra grande diferença está nos cumprimentos. Diferente do Brasil, lá em Buenos Aires não vi aquela empolgação de beijinhos, abraços e papo a mil com quem você está conversando pela primeira vez. Achei estranho porque aqui no Nordeste (eu moro em Aracaju – Sergipe) somos mais “dados” e é natural puxarmos papo com quem acabamos de conhecer. Mas, assim como no sul brasileiro, o próprio clima argentino favorece o “distanciamento” comunicativo. Entretanto, uma coisa que achei super legal foi o fato de ver homens se beijando no rosto. E isso aconteceu logo na saída do avião, quando o piloto deu um beijo no rosto de outro rapaz. Achei cordial, bonito, elegante e, principalmente, livre de rótulos machistas.

Outra coisa absolutamente perceptível é como o portenho fala alto! No aeroporto, na rua, no shopping, em casa… hahaha!! E, se o assunto for futebol, geeeeente! É uma caixa de som mais alta que a torcida do Flamengo gritando gol, acredite! Estou falando isso, mas me diverti – e me divirto – muito  com esse jeito do argentino porque é exageradamente natural, sabe?!

Mas a coisa que mais me deixou perdidamente apaixonada foi ver o quanto argentino ama ler. No aeroporto, vi um senhor carregando duas malas num carrinho e, com a outra mão, segurava, atento, um jornal. Aquela cena nunca sairá da minha cabeça porque fiquei mesmo bastante emocionada, já que vivemos num país tão carente de leitura e de educação básica. Quem tiver a oportunidade de andar nos metrôs, perceberá que essa é uma cena recorrente. Em pé ou sentados, na chuva ou no sol, os argentinos têm uma relação muito linda com os livros e com as histórias que eles contam.

São esses os pequenos detalhes que, logo na chegada, me apresentaram uma Buenos Aires cheia de diferenças culturais e de encantos que me causaram estranheza, mas me deixaram perdidamente apaixonada.

P.S: A minha próxima colaboração será diretamente de…. de… Buenos Aires!!!! Chego à cidade dia 12 de abril para rever os amigos (Alô ,Lia!!!) e pré-comemorar meus 30 anos.

Besos!

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